Peça em 4 actos
em cena:
> Teatro Aberto, Lisboa, 19 de Junho a 26 de Julho, 2026
> Teatro Nacional São João, Porto, 18 a 27 de Setembro, 2026
edição: Teatro Nacional São João, Porto / Edições Húmus, Guimarães, 2026
> pedidos a:
humus@humus.pt
> Prémio Carlos Avillez /SPA / Teatro Aberto 2025
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ANA MARIA RIBEIRO, Correio da Manhã, 28.06.2026
Uma peça sobre a forma como vivemos a dor
João Pedro Vaz dirige texto premiado no palco do
Teatro Aberto
Um encontro num bar resulta numa noite de sexo para um homem e uma mulher
que não se conhecem e provavelmente não voltarão a ver-se. Ele vive isolado da
sociedade, numa rulote, e prefere assim: ter sexo casual com desconhecidas,
viver sem amarras.
Eis o ponto de partida do espetáculo ‘Caravana’, que João
Pedro Vaz dirigiu e está a apresentar no Teatro Aberto, em Lisboa, com Rita Calçada Bastos e Joaquim Horta como intérpretes. A peça,
do conhecido médico, tradutor e poeta português João Luís Barreto Guimarães, venceu o Prémio de Teatro Carlos
Avilez (da SPA/Novo Grupo), e o encenador admite que o surpreendeu. Até porque
é uma peça “com cambalhota”: esconde
uma surpresa que deixará o espectador, literalmente, de boca aberta. Gostou,
ainda, de se deparar com uma proposta teatral que vive da palavra. “Aqui
tudo passa pelo diálogo e acho que essa vai ser a próxima novidade: o teatro de
texto com ironia, com espanto”, diz
ao CM João Pedro Vaz.
O autor, que assistiu a vários ensaios (e “ficou fascinado com o processo”)
aceitou pequenas alterações ao original e o texto será publicado tal qual é
representado. Quando aos atores, o encenador diz que “foi relativamente
fácil escolhê-los”. “Nesta geração
dos 50 anos há, felizmente, muito bons atores. Com o Joaquim já tinha trabalhado, com a Rita não, mas precisava de alguém que pudesse interpretar mulheres
jovens e outras mais maduras”, nota. “O
processo de trabalho, que foi de relojoaria, de pormenor em torno do que se diz
e da forma como se diz, correu muito bem e agora o espetáculo está lançado. É
deles, dos atores, que estão a fazê-lo crescer no palco e não páram de me
surpreender”, conclui João Pedro Vaz. Ver até dia 26 de
julho.
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CARLA ALVES RIBEIRO, Diário de Notícias, 22.06.2026
Um homem e três mulheres numa caravana que é refúgio,
palco e confessionário
Peça de João Luís Barreto Guimarães, vencedor do Prémio de Teatro Carlos Avilez / SPAutores / Teatro Aberto 2025, encenada João Pedro Vaz, está em cena em Lisboa até 26 de julho. Ruma depois ao Porto.
É uma peça de teatro “cinematográfica”, com ambiente que faz
lembrar o filme Paris,
Texas, de Wim Wenders. Em Caravana
há spoilers e plot twists, partes que não puderam ser mostradas no ensaio
de imprensa antes da estreia, na passada sexta-feira. É João Pedro Vaz, ator e encenador do texto de João Luís Barreto Guimarães, vencedor do Prémio de Teatro Carlos
Avilez / SPAutores / Teatro Aberto 2025.
“Há
uma mecânica surpreendente, a certa altura a peça tem um volte face, e quando
cheguei a esse volte face, percebi que é uma peça que se revê
mentalmente. Ou seja, o espetador começa a vê-la outra vez na sua própria
cabeça. E achei isso muito interessante, talvez a coisa mais interessante do
texto”, diz João Pedro Vaz.
João Pedro Vaz troca o
papel de ator pelo de encenador.
A peça com quatro atos (para quatro fases da lua), tem quatro
personagens, mas apenas dois atores Rita
Calçada Bastos e Joaquim Horta.
É a história de um homem que se isola numa caravana longe da cidade e tem
encontros fortuitos com três mulheres. A caravana, um “não-lugar”, escreve João Luís Barreto Guimarães sobre o seu texto a propósito da
encenação do espetáculo, “é ao mesmo tempo uma casa provisória, refúgio,
palco, confessionário e máquina de metamorfose”.
O autor explica nesse mesmo texto que foi seguindo esse homem
em diferentes encontros com as três mulheres, até que a “determinada altura da
escrita, aquilo que até aí surgia como uma sucessão de encontros começou a revelar-se
outra coisa — vínculos amorosos fragmentados em máscaras, duas pessoas a
tentar regressar a si mesmas por caminhos desviados”.
A caravana,
"confessionário e máquina de metamorfose".
O encenador sublinha que “é nesse jogo de intimidade, de
máscara e de revelação”, que a trama se desenrola. “Vai-se tentando
perceber o que é que se passa com aquele homem, porque há ali qualquer coisa
que não bate certo. E percebes que aquele seu retiro voluntário tem uma
razão pessoal, e quando descobres a razão, vais para trás na peça, sem a
poderes ver outra vez. Só o teatro consegue isso. O João foi bastante inteligente a perceber a mecânica do teatro, o
teatro é mesmo isso, o espetador faz a sua própria montagem”.
João Pedro Vaz trabalhou de perto com João
Luís Barreto Guimarães, poeta, tradutor e médico-cirurgião plástico,
vencedor do Prémio Pessoa em 2022. “Eu propus uns cortes, não foram alterações,
mas cortes, é a primeira peça dele a ser encenada”, revela. “Ele percebeu que há coisas que se podem cortar a partir
do momento em que os estão atores lá, o corpo e a relação entre eles. Também há
coisas que não precisam de ser claras, porque o espetador quer – eu acredito
ainda nisso –, fazer o resto da construção”.
O encenador confidencia: “Vou dizer uma coisa que disse ao João Luís, um bocado na brincadeira: a
poesia não nos interessa, porque são duas artes completamente diferentes. E é
preciso ter muito cuidado quando às vezes se introduz a poesia dentro do
teatro, porque o teatro continua a ser uma arte viva em que os corpos têm
que ressoar e têm que transmitir eles próprios as suas metáforas, os seus
símbolos, sem que sejam mencionados muitas vezes. E a poesia é o contrário, tem
que enunciar a partir da palavra. Às vezes o ator em silêncio diz mais do que
quando está a falar”.
Mais do que isso, sublinha João Pedro Vaz, "foi muito
interessante perceber até que ponto a poesia ajudava, mas também onde é que a
poesia não ajuda, porque o teatro, de facto, é uma arte muito específica".
Rita Calçada Bastos
interpreta três papéis.
Rita Calçada Bastos, que volta a contracenar com Joaquim Horta mais de 20 anos depois de terem feio a
peça Categoria 3.1 de Lars Nóren,
encenada por Álvaro Correia na Comuna, interpreta as três mulheres que passam pela caravana, que se
apresentam como Helena, Ana e Maria. “Já tinha acontecido numa outra peça
fazer duas personagens com um intervalo de dez minutos, mas estas são mesmo
todas seguidas, um intervalo só para uma muda de roupa. É um desafio muito
aliciante para um ator, como é que se ginástica essa interioridade também”, diz a atriz.
A primeira mulher a encontrar-se com o homem, descreve o
autor do texto, “oferece
um nome que pode não ser o seu, seduz, provoca, bate-lhe no braço, ri,
desafia-o, mas percebe-se cedo que a insolência é uma forma de não se esboroar”. A segunda “traz uma energia
muito diferente da mulher do primeiro ato: é mais jovem, mais leve à
superfície, mais corporal, mais brincalhona, quase infantil em certos momentos.
Mas essa leveza também é uma máscara”. A
terceira “aparece mais velha, mais segura, mais sofisticada, com uma
elegância e uma autoridade que mudam imediatamente a temperatura da cena. Já
não estamos apenas no terreno da sedução ou da carência física; entramos numa
zona mais perigosa, porque o confronto passa a fazer-se através das palavras,
da linguagem”, explica João Luís Barreto Guimarães.
Um homem que se isola para
se reencontrar.
Joaquim Horta, no papel do homem que se apresenta como Tomás, diz que “cada
mulher traz um imaginário diferente, uma idade diferente, e isso irá também
confrontá-lo com fases diferentes da sua própria vida.”
Caravana está em cena no Teatro Aberto, em
Lisboa até 26 de julho, e entre 18 e 27 de setembro sobe ao palco do Teatro
Nacional São João, no Porto.
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MARIA JOÃO COSTA, Rádio Renascença, 19.06.2026
Um poeta escreveu uma peça de teatro e um ator encenou
Estreia sexta-feira no Teatro Aberto, em
Lisboa “Caravana”. A peça vencedora do Prémio Teatro Carlos Avilez / SPA / Teatro Aberto 2025 é da autoria do poeta,
Prémio Pessoa, João Luís Barreto
Guimarães e é encenada pelo ator João
Pedro Vaz.
Uma caravana está estacionada no palco do
Teatro Aberto, em Lisboa. Ela é o refúgio da personagem principal da primeira
peça de teatro do poeta João Luís Barreto Guimarães a ser
encenada.
Protagonizada pelos atores Joaquim
Horta e Rita Calçada Bastos,
o texto vencedor do Prémio de Teatro Carlos Avilez / SPA / Teatro Aberto 2025
chega ao palco com a encenação do ator João Pedro Vaz que
trabalhou com o poeta a obra.
Em entrevista ao Ensaio Geral, da Renascença, Vaz confessa que disse “um bocado em brincadeira” a João Luís Barreto Guimarães que “a
poesia não interessa nada”. A ideia explica o encenador é que a arte do teatro
não precisa dos mesmos artifícios da arte poética.
“É preciso ter muito cuidado quando às
vezes se introduz a poesia dentro do teatro, porque o teatro continua a ser uma
arte viva, em que os corpos têm que ressoar e têm que transmitir eles próprios
as suas metáforas, sem que a gente as mencione. A poesia é o contrário. Às
vezes o ator em silêncio diz mais do que quando está a falar”, lembra João Pedro Vaz.
Em palco, nesta “Caravana” está a história de
Tomás, um homem que se isola e vive no meio de uma floresta, onde se cruza com
três mulheres – todas elas interpretadas pela mesma atriz.
“Esta caravana é literal. Ele vive num
baldio, supostamente, diz ele, numa quinta de uma amiga onde está em retiro
voluntário, longe da cidade. Percebe-se que ele desistiu. É um homem em perda,
em dor. Ali perto há uma espécie de pub
onde ele tem encontros fortuitos com mulheres diferentes que leva para aquele
lugar”, conta João Pedro Vaz.
Sem contar tudo, o encenador explica que
“há coisas que não precisam de ser claras, porque o espetador quer fazer o
resto da construção. É uma parte ativa na construção do espetáculo. É um
bocadinho a diferença entre comida a sério e comida enlatada em que se mete no
micro-ondas e está feita. Já sabemos o que é. Portanto, o espetador faz parte
da experiência”.
Habituado à linguagem do cinema, o ator
que agora assume o papel de encenador reconhece que há muito cinematográfico na
peça. “É uma peça com um lado emocional, mas sobretudo muito de uma mecânica de
um teatro de atores, de diálogo em que as coisas não são reveladas. Vamos
tentando perceber e intuir”, refere.
João Pedro Vaz confessa que gostou muito de trabalhar com Barreto Guimarães. “Ele começou a fazer
também parte da equipa. É a primeira peça dele a ser encenada, portanto, veio
ver ensaios e queria ter vindo de mais, mas não conseguiu, porque não mora cá
em Lisboa. Foi só por isso, senão acho que ele estava cá quase muitos dias!”
afirma.
Depois de uma temporada no Teatro Aberto até 26 de julho, “Caravana” segue viagem para o Porto, para o Teatro Nacional São João, a partir de 19 de Setembro.
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RAFAEL NABAIS, Visão, 18.06.2026
Caravana - Jogos de ocultação
O primeiro texto do poeta e médico João Luís Barreto
Guimarães a passar ao palco estreia-se no Teatro Aberto, com encenação de João
Pedro Vaz
Lá dentro, acontecem encontros amorosos, flirts e jogos de sedução muito complexos emocionalmente. Em
cena, Ele, um homem solitário num retiro voluntário, interpretado por Joaquim Horta, à noite conhece algumas
mulheres num bar próximo, todas interpretadas por Rita Calçada Bastos, que também não têm nome, são Ela, a Rapariga e
a Mulher. Encontram-se na caravana do homem, num descampado que é também
emocional, ao rodar das fases da Lua, que configuram os quatro atos da peça e,
de alguma maneira, “refletem
o estado de espírito e a relação entre as personagens”, adianta à VISÃO Se7e, o
ator e encenador João Pedro Vaz.
Caravana é o primeiro texto de João Luís Barreto Guimarães, 59 anos,
poeta e tradutor (Prémio Pessoa 2022), médico cirurgião e professor da Universidade
do Porto, a ganhar vida no palco. A peça venceu o Prémio Carlos Avilez, em
2025, atribuído pelo Teatro Aberto e pela Sociedade Portuguesa de Autores, e
tem esta sexta, 19, estreia na sala da Praça de Espanha, em Lisboa, seguindo em
setembro para o Teatro Nacional São João, no Porto.
João Pedro Vaz, sempre com o cuidado de não revelar demasiado,
confessa como foi surpreendido pelo próprio texto quando é revelada a razão
para o isolamento do homem na caravana estacionada num baldio, fora da cidade,
possivelmente na propriedade de uma amiga. E salienta esse “décor único”,
como “qualquer coisa de cinematográfico”.
A estrela da companhia é mesmo a caravana em
cena. Na fase preparatória do espetáculo, Barreto Guimarães perguntou ao
encenador se haveria mesmo uma caravana real. E há, o que deixou o dramaturgo
mais descansado – temia que a encenação optasse por um palco vazio com duas
cadeiras. “Era incontornável ter lá a caravana, essa espécie de casulo, onde
este homem se refugia”, comenta
João Pedro Vaz. “E como está num sítio isolado, na orla de um bosque, no
cenário da Sara Vieira Marques
também figuram esses elementos da Natureza.”
Segundo
o encenador, a peça vive muito da relação entre os dois atores, um verdadeiro jogo
de “máscaras teatrais”, remetendo para a condição daquele homem.
“Caravana é uma peça
aparentemente realista que se torna um jogo de ocultação, muito teatral, e
emocionalmente complexo. Um novelo que se vai desfiando à medida que o próprio espectador
quase tem necessidade de rever retrospetivamente o que de início lhe parecia certo.
Foi o que me fez querer encená-la.”
Enquanto encenador, João Pedro Vaz gosta de deixar em aberto todas as possibilidades do texto e o seu efeito-surpresa. “A nossa função é que seja o espectador a revelar-se na sua relação com o texto, a projetar eventualmente a sua sensibilidade, o seu estado de espírito na natureza das personagens”, salienta. “E penso que é bom ser ator nesta peça especificamente, porque é através dos diálogos que se percebe o que cada uma das personagens está a esconder e a revelar.”
Emocionalmente forte e, por vezes, divertida, Caravana será em cada sessão uma experiência. “O João Luís é poeta e, de alguma maneira, isso sente-se no modo espirituoso como usa as palavras. Estão reunidos os ingredientes para fazer teatro de uma forma experimental, aberta, surpreendente, todos os dias em tempo real”, acrescenta o encenador.
Autor de Luz Última, Você Está Aqui, Nómada, Mediterrâneo ou Movimento, Barreto Guimarães tem ido a ensaios e já faz parte da equipa. “Apesar de ser um exímio poeta, esta experiência teatral é para ele um território novo. Julgo que está também a aproveitar o processo para perceber como são os mecanismos e os desafios que o teatro coloca e nós temos acesso ao autor de uma maneira livre e descomplexada. O autor tem de vir para dentro do teatro”, conclui.
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