28 poemas
(Porto,
1986 - 1989)
1ª
edição, do autor, Porto,
1989, esgotada
posfácio
de Arnaldo Saraiva
capa
de Armanda Passos, a
partir do s/ óleo «Aprendizagem»
retrato
do autor por Helena Abreu
2ª
edição, in «3 (poesia
1987-1994)», Gótica, Lisboa, 2001, fora de mercado
3ª
edição, in «Poesia Reunida»,
Quetzal, Lisboa, 2011, esgotada
§
ARNALDO SARAIVA, posfácio a «Há Violinos na Tribo»,
Novembro 1989
«No
livro do João Luís Barreto Guimarães agradou-me a atenção ao
quotidiano e ao efémero, que convive com discretos apelos ao eterno; agradou-me
a modulação coloquial e o fôlego versificatório, sabiamente pontuado, sobretudo
por parênteses; agradou-me a permanência de uma estrutura poemática clássica,
no entanto submetida a flutuações ou variações que sugerem a do curso dos dias;
agradou-me a escrita alusiva, sintética, sincopada e elíptica (...); e
agradou-me a atitude dominante do poeta na sua relação dialogante com as
coisas, os homens (e as mulheres).»
JOSÉ F.
GUIMARÃES, O Primeiro
de Janeiro, 14.11.89
«Este
jovem poeta, que publicou recentemente "Há Violinos na Tribo", tinha-nos já
surpreendido pela qualidade dos poemas publicados nos cadernos de poesia "Hífen"
- e, tanto quanto nos lembramos, repescados para este livro. Quanto ao seu
livro de estreia poética há aspectos a ter em linha de conta. Por exemplo: os
poemas de Barreto Guimarães vivem de uma contraposição –
instalada no corpo íntimo de cada texto – entre o lado, passe a expressão, mais
depuradamente poético (o conjunto de imagens que de imediato associamos a arte
poética) e um tom marcadamente coloquial com ancoragem no quotidiano (sejam
lugares ou moradas, conhecidos ou desconhecidos, amigos ou amores, casas ou as
suas memórias). (...) "Há Violinos na Tribo" é um livro a ler
atentamente – uma boa estreia, afinal.»
O
Comércio do Porto,
22.11.89
«"Há Violinos na Tribo", escrito
por um jovem estudante de medicina, é um livro de poesia que se destaca do
amontoado de vulgaridades que costuma ter frequente edição entre nós. O seu
autor chama-se João Luís Barreto Guimarães, nome que, em breve,
será presença na literatura portuguesa tal como o foram as revelações de Paulo
Teixeira e Francisco [José] Viegas. (...) Trata-se de uma
inesperada revelação poética (...).»
Diário
de Lisboa,
22.11.89
«Um
tom confessional que facilmente entra em nós (...). São vinte e oito poemas,
quase todos já com aquele saber que não se aprende em nenhuma escola – e que
vem ao poeta de uma "experiência"
que a Ciência não sabe determinar de maneira nenhuma. Estética, enfim. (...)»
Jornal
de Letras,
19.12.89
«Construiu
o seu livro de estreia como quem constrói um LP, com dois lados e várias
pistas. (...) Logo numa primeira leitura se nos impõe a frescura e a
originalidade desta escrita que encontra o ritmo e a respiração no falar
quotidiano, na sedução do efémero, na coloquialidade das pequenas coisas ditas
para não fazerem história. Há, numa página ou noutra, verdadeiros achados
formais, sobretudo quando o registo da escrita poética se enlaça com o da prosa
fluente, limpa, capaz de gerar a cumplicidade do leitor. (...) João
Luís Barreto Guimarães sai desta estreia com nota alta e distinção. E
promete voltar, com apuro e maturidade ainda mais vincados, para o "mestrado" que o ofício da
escrita já começou a exigir-lhe.»
JOSÉ
DO CARMO FRANCISCO, Tempo,
18.01.90
«Neste
ofício de ler (por escrito e por extenso) os livros dos novos (e dos de
sempre...) há (por vezes) a satisfação de encontrar uma voz poética que nos
anuncia uma original e individual maneira de escrever. Todos sabemos que não há
rupturas totais com o passado literário. Querer fazer uma poesia nova, começar
tudo do princípio, é uma impossibilidade, não se pode fazer. Em "Há Violinos na Tribo" de João
Luís Barreto Guimarães há referências e citações (João Miguel
Fernandes Jorge, Francisco José Viegas) mas o ponto original é
o fio do discurso, o tom da própria voz (...)»
RAMIRO TEIXEIRA, Jornal de Notícias,
10.04.90
«(...)
visivelmente, se identifica uma atitude de "modernidade", que antes de ser
de raiz estética é, ao invés, de postura afirmativa, ou seja, de afirmação de
ser. Desta forma, se nos depara uma expressão poética que possui tanto de
protocolar quanto de subversão. [N]a estrutura vocabular destes poemas,
identifica[-se] uma espécie de código ritualista, que recusa os
convencionalismos tradicionais, em benefício de uma espécie de existência
concentracionária, de exploração em grupo. Aliás, neste contexto, é
simbolicamente referente o vocábulo final do título escolhido (Tribo), o qual
nos remete para esta dualidade do discurso. Ela se manifesta a vários níveis,
ocorrendo tanto na subdivisão do conjunto dos poemas, que se apelida "Lado
Um ou Manual do Engano" e "Face B ou As
Pistas", como na própria estrutura vocabular, caracterizada pela
modulação coloquial, por abundantes parênteses e pela inquirição. Ora, é
justamente pela tipologia destas falas, que são por natureza dialogantes, que
nos apercebemos da necessidade que o autor manifesta em comunicar com um
destinatário, que pretende confidente, afirmando-se, simultaneamente, em posse,
ou seja, conhecimento e disputa. Que posse é a sua? Presumivelmente, a que lhe
advém da pesquisa em grupo – da Tribo? Desta forma, se vislumbra, neste livro
de poemas, uma dualidade quanto ao destinatário, pois tanto é ele dirigido a um
agente ledor de natureza particular, confidente privilegiado que domina o
código da transmissão, quanto a um outro de maior universalidade. A extrema
juventude do poeta, obstando embora à perfeita simbiose do discurso poético
motivado por estes dois tipos de destinatários, não o ausenta, todavia, do
sagaz conhecimento, da atitude dominante essencial sobre o que produz, enfim,
de uma estrutura inquiridora clássica, ainda que a pretenda submetida a uma
tentativa de subversão ditada pelo desejo de "modernidade"
(...). Muitos são os caminhos para a perfeição, João Luís Barreto
Guimarães persegue o seu, debatendo-se entre o particular e o
universal, o efémero e o eterno.»
FRANCISCO JOSÉ VIEGAS, Ler/Livros & Leitores,
Primavera 1990
«As
coisas vêm de onde não sabíamos que podiam vir e é cada vez mais raro
descobrir, de entre todas as vozes que iniciam a publicação, no domínio da
poesia, um sinal que seja marcado por uma promessa. Neste caso, no caso de
"Há Violinos na Tribo",
esse sinal chega como o da sua respiração. Não custam a ler, estes poemas, nem
custam a perceber, as suas referências, embora não existam respostas para as
interrogações aqui colocadas (...). A prática do soneto (livre, chamemos-lhe
assim) atinge neste livro um alto momento de procura de perfeição clássica, a
que não é estranha a presença, quase permanente, de uma vontade pura de
começos, de um paraíso que se visitou e se quer revisitar: um lugar onde a
dança de deus e das palavras se associe. Poesia com a marca de uma
religiosidade intensa e feliz. É raro, isto: a poesia portuguesa (dos seus
"clássicos" contemporâneos) perdeu há alguns anos o gosto pela
melancolia e tornou-se objecto de si mesma, das suas multiplicações e
desmultiplicações; ou, se descobriu o rosto da melancolia, de tanto estar cega
que o confundiu com o da tristeza sem regresso. João Luís Barreto
Guimarães encontra nisso uma alegria que nos é comunicada em versos
suaves, em palavras que não persegue nem teme - ninguém morre em nome das
palavras ou em nome da literatura (...). Notável poesia esta que nos chega em
silêncio, surpreendendo-nos.»
JORGE LISTOPAD, Diário de Lisboa, 17.05.90
«(...)
assaz surpreendente livro de versos, "Há Violinos na Tribo", do jovem João
Luís Barreto Guimarães, editado no Porto. Há muito que me apeteceu chamar a
atenção para esse... "outsider" da comunicação (...).»
FERNANDA BOTELHO, Colóquio/Letras,
Maio-Agosto 1990
«O
jovem poeta do livro "Há
Violinos na Tribo", João Luís Barreto Guimarães, confere-me
uma certa insegurança crítica, que me advém, ao que suponho, da ambiguidade da
sua poesia, entre o subjectivo aleatório, por vezes não imediatamente
apreensível, e uma objectividade que logo nos transporta para um concreto bem
perspectível; entre a construção elaborada do poema e uma (pretensa?)
espontaneidade formal; entre uma autenticidade sensível e o artificioso recurso
a uma reformulação do poema, de modo a que fique lavrada e consagrada a
modernidade do poeta. (...) Estes "violinos na tribo"
proporcionam-nos poemas, todos eles, de catorze versos, o que revela, no Autor,
a uniformidade do fôlego inspiratório e a capacidade intelectual de reduzir a
uma fórmula rigorosa e dominada, as configurações da sua dispersão íntima e do
seu lirismo fugaz.»
FRANCISCO MARTINS, Letras & Letras,
02.01.91
«Encontrar
um desses autores é sempre um prazer para o leitor-apreciador ou o
leitor-crítico. E foi o que me aconteceu quando me veio parar às mãos o livro
"há violinos na tribo"
(até agora o único) de João Luís Barreto Guimarães, publicado em
1989, no Porto. Naturalmente que estas breves linhas são condicionadas pelo
efeito de uma primeira leitura, fomentadora de "ideias"
impressivas. Todavia pelas invariantes formais, estilísticas, discursivas,
lexicais, temáticas (...), pode-se desde já adiantar que estamos em contacto
com uma feliz estreia – fundamentalmente pelo que há de moderno no processo
desta escrita poética – e com um autor que muito pode vir a fazer no domínio da
Poesia. (...) Fazer [d]o devir quotidiano o cenário temático por onde vão
surgindo as mais variadas associações lexicais e semânticas; enunciar um
discurso coloquizante dentro de um clima quase sempre metonímico e simbólico
(mesmo dando-nos a sensação de o autor perder de vista o real empírico;
interrogar os limites (?) do ser, da amizade, do amor, da percepção do tempo,
da codificação dos saberes por entre o gesto humano mais simples e a sua sede
de duração; enfim, conjugar vários planos da visão das coisas (onde,
convenhamos, parecem emergir imagens algo barrocas), - fazer isto (e não é
tudo) dentro de um modelo como o do soneto (embora o discurso se expanda em
versos longos e brancos), creio ser a aposta deste livro. Se a originalidade e
qualidade dos sons destes "violinos" são para ser aprofundados
e cultivados, os tempos do tocador e o das leituras posteriores da "tribo"
o dirão.»